Publicado em 19/07/2026

A corrida pelos remédios para emagrecer cria vencedores e fracassos na bolsa

O avanço dos medicamentos para obesidade abriu uma corrida bilionária na biotecnologia, onde poucos projetos chegam ao mercado e o sucesso depende de anos de testes.

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GLP-1: estudo sugere que medicamento pode influenciar comportamentos ligados à impulsividade

O avanço dos medicamentos para perda de peso abriu uma das maiores frentes de oportunidade da indústria farmacêutica, mas também expôs investidores a alguns dos riscos mais elevados do mercado de biotecnologia.

Nesse segmento, um único resultado de estudo clínico pode impulsionar o valor de uma empresa, apagar anos de valorização na bolsa ou até comprometer sua continuidade. Isso porque o desenvolvimento de um novo medicamento segue uma sequência de etapas rigorosas.

Primeiro, o tratamento precisa demonstrar segurança. Depois, deve comprovar eficácia em pacientes e repetir esse desempenho em estudos mais amplos antes de ser avaliado pelas autoridades regulatórias para eventual comercialização, e poucos projetos chegam ao fim desse processo.

Levantamento da Biotechnology Innovation Organization (BIO), que analisou programas de desenvolvimento entre 2011 e 2020, mostra que, de cada 100 medicamentos que entram na fase inicial de testes clínicos, apenas oito conseguem aprovação para chegar ao mercado.

Dos 100 candidatos que iniciam a Fase I, cerca de 52 avançam para a Fase II. Nessa etapa, quando o medicamento passa a ser testado em pacientes, apenas 15 seguem para a Fase III, considerada o estudo decisivo. Em seguida, nove empresas chegam a solicitar autorização de venda aos órgãos reguladores, mas somente oito obtêm aprovação.

A Fase II costuma ser o maior ponto de eliminação dos projetos, justamente porque é quando surgem as primeiras evidências concretas sobre a eficácia do tratamento. Em média, todo o percurso entre o início dos testes clínicos e a aprovação regulatória pode levar cerca de dez anos.

Os ganhadores e os perdedores na bolsa: Essa dinâmica ajuda a explicar por que empresas que perseguem o mesmo mercado podem apresentar desempenhos tão distintos na bolsa.